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textoscrueisdemais:

mas você ter ido embora não tinha nada a ver comigo, pensei. eu ainda era boa.
eu ainda era boa.
e o que todo mundo me perguntava com os olhos toda vez que eu contava a nossa história? “por que garotas boas são deixadas?”
aí eu voltei a fumar.
depois que terminamos tive coragem de deixar todas as minhas relações nocivas, você não era uma delas, você era uma das boas. você era uma das boas.
e o que todo mundo me perguntava com os olhos toda vez que eu contava a nossa história? “por que boas relações fracassam?”
aí eu voltei
só não sei para onde.

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textoscrueisdemais:

eu ainda penso em você.

eu até tentei fingir nos últimos dois meses, mas é como tentar se afastar de um monte. ele sempre vai estar ali. sempre. aprendi isso enquanto viajava pra Minas. então aprendi também a olhar pro outro lado. eu amava olhar pra você. e eu te enxergava tão fundo ao ponto de detectar suas hemácias e glóbulos brancos. ao ponto de perceber o alto nível de THC no seu sangue e todos os seus defeitos girando na sua pele como um redemoinho no meio do mar. a gente até tenta se afastar, mas ele ainda está ali. e eu nadei. meus braços e pernas ficaram cansados de fugir. e eu deixei que me engolisse como a rodovia transamazônica engole verbas federais e nunca termina. acabou agora. enquanto outro tornozelo se fundiu no meu tornozelo e eu tive força pra caminhar pra longe de você. enquanto outra boca grudou na minha boca e sugou todos os gritos com seu nome e carregou pra dentro de si todo o resto da sua saliva que insistia em dançar entre meus dentes e língua. eu mastiguei a sua lembrança com carinho. para que aquilo não espalhasse e eu te perdesse tão em mim que jamais pudesse encontrar. outra pessoa veio e arrancou seu sexo longo e incrível. outra alma surgiu com voz rouca e arranhou o tom da minha vida. me chamou e eu fui. e como é bom finalmente ir. isso aqui não é sobre o quanto ainda penso em você. é sobre o quanto consegue estar bem e feliz ao mesmo tempo em que eu também penso em outro alguém. porque pode até não te doer enquanto me deterioro aqui, mas te toca enquanto sigo em frente. sinta o que quiser.

quem sente amor, de verdade, nunca tem opção.

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textoscrueisdemais:

Caí na sala do meu ex. A gente não se fala. Ficamos expostos um ao outro durante 3 horas sob um fardo (pelo menos da minha parte) que eu, juro por todos os deuses, não desejo a ninguém. Coisa pesada mesmo, sabe? Uma agonia chamada falta de responsabilidade afetiva e emocional, uma agonia chamada coisas-mal-resolvidas.

Mês passado ouvi de uma amiga que o namorado terminou com ela por WhatsApp. De maneira bastante descartável mesmo, e um tanto quanto desonesta. E aí eu te pergunto: você também é desses? Covarde, que se esconde atrás de uma ferida porque expô-la é demais da conta pra figura fria e patética que cê quer construir? Ou você é apenas desonesto (com os outros e consigo mesmo) a ponto de não se importar com a vida da pessoa que, gratuitamente, doou tempo, disponibilizou discursos, ofereceu amor, compartilhou histórias e intimidades contigo?

Então a pessoa tocou no meu corpo, me viu nu, riu, chorou, entrou dentro de mim em todos os aspectos e depois esqueceu? Fingiu que não existiu? Descartou como se descarta uma roupa?

O que você faz com suas memórias e com aqueles que te fizeram se sentir incrível? Você rompe os laços. Você termina um relacionamento de anos por mensagem. Você corta uma conexão sem culpa, você deixa o outro à mercê porque, afinal, ele não merece esforço - pra quê, né? O tempo voa e já tem outro ali na frente.

Nossa sociedade prega que sejamos tolos e que ignoremos uns aos outros. Eu ignoro você e a dor que você me trouxe. Eu visto a melhor roupa, coloco um sorriso falso, engulo o choro e volto à rotina do trabalho e tá tudo bem. Só que nessa de ir sedimentando todos os seus traumas, você acaba piorando; criando casca, se tornando duro e imutável, e o pior: a ferida continua lá. O trauma não foi curado, a experiência não serviu de aprendizado (para além do clichê de que você se torna mais forte) e você ainda nem chegou nos 30. É um adolescente na arte de sentir.

Estamos cultuando o movimento da covardia em detrimento do seguir em frente. Eu dispenso você, as coisas ficam mal resolvidas, seguimos feridos, em silencio, e começamos a contar a relação a partir do momento do desconhecimento. Há 4 meses te desconheço - isso é, pateticamente, triste e desnecessário. Mas a gente segue, né? Ficando cada um pra um lado da sala, como seres humanos que falharam no ato mais simples e sutil do mundo: o de ser, avidamente, humanos.

Sob o fardo do meu mundo de palavras indizíveis: você.

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a gente ama porque é a única coisa que nos resta a fazer

eu te amei fundo, não me arrependo. e não me arrependo porque conheço pouca gente que se atiraria no amor de peito aberto, manso, livre.

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e você vai se virar contra si mesmo e dizer “não vou amar esse cara porque sei que ele vai me machucar”? porra bicho, não dá. você não pode simplesmente se negar ao amor porque em determinado momento alguém não soube recebê-lo. acontece. aqui, ó, bonitão: a vida é só
isso. ou tudo isso. você vai levar uns amores pra sua casa, vai dar banho neles, vai vê-los vomitarem toda a bebida alcoólica e no dia seguinte eles irão embora. cê tá preparado pra isso? já dizia drummond que o amor é “bicho instruído”. ele sobe nos
pés de bananeira. ele cai da árvore. ele sangra. você tá preparado pra sangrar também?

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você está aí distribuindo amor e tem aqueles que nunca nem sentiram um resquício de vida. por causa disso você vai temê-los? fiquei com um cara dez meses e nesses dez meses eu não senti nenhuma vez que fosse amado, embora amor de minha parte não faltasse. o que eu poderia fazer? amor eu tinha. sensações, sentimentos, adrenalinas e agonias, também. eu era cheio, cara. cheio. tem gente que se a gente colocar a mão no peito não sai nada, sabe? nada. daí você fica se questionando se o problema é você, corre para as salas de terapia, arruma um bode expiatório para passar um tempo, lê livros sobre psicanálise, se empanturra de vazios e, olha só: não é só sobre você. as respostas para todas as suas incongruências, para os
males da sua solidão, para a maneira densa como você absorve a vida. você tá prestando atenção no que cê tá lendo aqui? ó: na vida você vai encontrar uns abestados que não saberão lidar com sua sensibilidade. eles vão pisar em você porque, acima de tudo, eles não sabem lidar com si próprios e com a vida. essas pessoas que colocam a mão no seu peito e sujam sua fé e deixam você à mercê, elas estão perdidas. e, caramba, mesmo depois delas você ainda tem
amor. você é forte.

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eu continuo aqui. ainda mais forte e vertebrado. porra, eu continuo aqui. e depois de você, depois do que você foi, eu permaneço aqui - não no mesmo lugar, porque aprendi a crescer, a tornar-me outro. eu sou uma equação matemática: não cesso nunca na minha impiedade em amar. eu amo pra caralho porque é a única coisa que me resta e você ainda não percebeu que a vida não é sobre friezas e expectativas mutiladoras; sobre o quanto você consegue esconder as feridas; sobre o quão patético ficamos ao doar amor.

e daí se doamos amor? amor nunca vai nos faltar! amor emana, proclama, ama. veja só. depois de você, tenho ainda mais vontade de amar outros e outros e outros até me foder e ser fodido e experimentar do ácido que é a vida borbulhando

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você vai quebrar a cara muitas vezes. não raro, seu coração vai parar por microssegundos por causa de outras pessoas. você vai chorar aos sábados e aos domingos e às segundas e às terças - sim, ininterruptamente. você vai praguejar contra deus e contra todos os outros deuses que você souber. você vai querer nunca ter passado por isso. mas você passou. e você está passando. e você continua intactamente amando. repete comigo: “eu continuo intactamente amando”. você, que é um indivíduo dotado de uma capacidade hermenêutica de amar. você, que venceu toda a paranoia e libertou-se dos estereótipos de que o amor é verdadeiro, e exclusivo, e pateticamente bom. você, que também entendeu que ele é verdadeiro, exclusivo, e amargamente bom.

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o amor
não tem culpa de nada. ele só é.

e eu fui amor. todo e tolo amor.

e, porra, eu te amaria e seria fodido muitas outras vezes só pelo prazer de carregar tamanha graça. há sentimentos que, de tão gratuitos, acabam se tornando inenarráveis.

não me atrevo a negar amor a ninguém

[e não sei se você é sortudo ou azarado por isso]

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